RIPILICA ( a cachorrinha feliz)
“Ah! Se você tivesse alma
Tão feliz eu seria
Se pudesse encontrar-te um dia “
Ripilica era uma cachorrinha muito feliz. Apareceu por acaso junto aos cachorros de rua.
Era velha muito velha, quase cega e com apenas alguns dentes na boca torta.
Tinha uma grande deformidade tipo hérnia talvez devido algum pontapé poishavia uma marca que caracterizava a deformidade. Devido a deformidade ela andava meio torta, também pudera tinha uma grande força de gravidade que era não sei bem o que um grande tumor que quase atingia o chão.
Bela não era, era de raça ,ou tinha alguns vestígios da raça pincher com basse vira lata era
na realidade uma grande miscigenada, por isso era tão diferente.
Logo que a vi senti pena e como chovia a acolhi na varanda da sala para que minha mãe não pudesse vê-la agora pois teria que preparar o seu espírito para que ela ficasse com do da pobre cachorrinha, pois na realidade eu queria que ela fosse mais feliz no final de seus poucos dias pois a mesma estava condenada era visível. Quem a via sentia na própria carne as dores que ela deveria sentir.
Assim convenci minha mãe e mesmo ratiando acabou aceitando e ficamos então com Ripilica, esse foi o nome que a batizei, pois a mesma tinha um certo ar de riso olhava pra gente com uma docilidade até então nunca visto pois jamais olhei nos olhos de outros cachorros, o olhar de Ripilica era diferente, era gritante, meigo, alegre, cativante ao extremo. Vivia a dialogar com seu pitoco de rabo a sacolejar pra l-a e pra c-a sem parar.Era gulosa como comia parecia que nunca tinha visto comida, também pudera na rua é difícil encontrar comida de fácil disposição.
No inicio comia de tudo depois ficou mais seletiva, não comia qualquer coisa, so queria comer carne e minha mãe comprava miúdos, pés, fígado,carcaças etc.
O tempo foi passando e Ripilica se aprumou ficando mais bela, cheirosa e super carinhosa.
Achei então que Ripilica nunca mais fosse entrar no cio, já era tão velhinha e a danada entrou no cio, era tão sem vergonha que ela se oferecia ao Bob outro cachorro meu, mas ela gostava mesmo era de transar com o Chaolim um cachorro enorme que tinha que ficar no degrau de cima da calçada para que pudesse pega-la. Parece incrível ele a pegava abraçando-a pelo meio em levitação , nunca vi coisa igual, é inacreditável da pra imaginar a cena absurda nunca visto dantes.
O tempo foi passando, certo dia vi Ripilica sangrando achei que era hora do parto fiquei a observar liguei pro veterinário ele me orientou e pediu que aquardasse mais um dia se não nascesse deveria procura-lo .
Marcamos então a cirurgia pras 17 hrs, deixei a mesma pela manhã para que ficasse em jejum e observação.
Fui assistir a cirurgia que duraria cerca de 5 hrs , eu parecia que era o pai ou a mãe como queiram ajudei o Doutor André, aliás atrapalhei pois estava ali para ver o que seria aquela deformidade, e os pimpolhos, sei que seriam lindos, a coruja sempre gava o seu toco não é? E Ripilica já era da família, fiquei segurando a cabecinha de Ripilica confortando-a..
Foi dado anestesia geral até que ela adormeceu , foi feito a higienização e ai começou o trabalho de parto e plástica pois ela seria submetido a uma cirurgia plástica corretiva para tirar aquela deformidade.
Quando o Doutor André abriu a barriga de Ripilica não encontrou cachorro algum, e sim enormes flocos de tumores por todo o corpo a começar pelo útero que foi extirpado.
A aderência foi corrigida, tudo foi coloca no lugar. Tinha hora que Ripilica parecia que queria acordar, se debatia, ai era aumentada a dose anestésica.
Quando tudo terminou Michel veio nos buscar, comprou uma cama nova e um suporte de pescoço para que a mesma não arrancasse os pontos.
Naquela noite Ripilica ficou no meu quarto, cuidei dela a noite toda aplicando os remédios passado pelo Doutor André, e cuidando para que quando ela recobrasse os sentidos voltando da anestesia eu pudesse atende-la melhor
Quando Ripilica acordou, sentiu sede tomou muita água, dei-lhe leite e um pouco de sopa, é claro que não quis então dei-lhe carne comeu e ficou deitadinha na caminha.Ripilica agora parecia uma Deusa estava com uma barriga de tanquinho ela mesmo não se reconhecia, fiquei muito feliz em vê-la assim.
Passaram-se alguns meses e Ripilica que já vivia sorrindo agora era muito mais feliz, vivia me agradecendo. Minha mãe passou a chama-la de Samarina, Maria Rita, Maria Flor, minha menina e ela cada vez mais nos demonstrava um amor infinito, so faltava falar.
Quando minha mãe saia, Ripilica chorava a cântaros, e ficava no portão olhando a estrada esperando minha mãe chegar. Quando minha mãe chegava tudo era festa. Certo dia minha mãe deu um ossinho para Ripilica que sendo muito gulosa engoliu mais que depressa, passado alguns dias ela começou a tossir voltamos no veterinário, ele passou uns remédios aplicamos algumas injeções e nada, pensamos ser resfriado, mas não era Ripilica, de tanto tossir seco acabou rompendo a cirurgia criando uma aderência ainda maior, ela ficou do mesmo jeito. As vezes quando ela tossia sangrava pela vagina, nos a medicávamos passava e ia vivendo assim
Certo dia percebi que Ripilica cheirava mal dei banho, e o cheiro continuou.
Fui viajar, fiquei uns dias fora e quando voltei senti tristeza no olhar de Ripilica ,estava se alimentando bem não deveria estar mal, quando percebi moscas varejeiras rondavam sobre ela, pensei talvez é por causa do matadouro, pois ultimamente tinha aumentado o foco de moscas. Troquei sua cama suas roupas e não percebi nada de anormal.
Ripilica hoje não levantou estranhei, apalpei sua barriga e pude sentir que a mesma estava entumecida, cuja pele até brilhava.
Assim foi a vida de Ripilica, dias na cama, dias levantava, as vezes latia, outras vezes não, parecia uma pessoa idosa cheia de macacoas, vivendo em clima de bons e aziagos dias sucessivamente esperando chegar o seu tempo.
Certo dia notamos que Ripilica não mais tossia já que as noites eram longas pois a mesma tossia a noite toda, e dormia no amanhecer; percebemos então que o ossinho tinha sido expelido graças a Deus.
Passaram-se algumas semanas e percebi que Ripilica sangrava fui averiguar, percebi uma bicheira enorme, passei creolina, que cheiro horrível ficou empregnado em Ripilica, quando fui tira-la para coloca-la mais afastada no rancho percebi um monte de varejeiras na sua caminha, levantei sua pata trazeira e que tristeza meu Deus, tinha dois enormes buracos e algumas varejeiras mortas e outras vivas vindo das profundezas de suas entranhas. Tirei uma por uma até onde pude e passei a observa-la melhor.
Dia a dia ela decaia, mas mesmo assim continuava a se alimentar normalmente, até que chegou um dia em que tudo o que ela ingeria ela vomitava, pois o organismo não aceitava mais nada. Seu olhar decaia dia a dia, ai levei Ripilica para o meu quarto, coloquei-a no banheiro, e percebi que ela estava ofegante, reclamando a minha presença. Então trouxe-a para o meu quarto, ela me olhava tanto, tanto, que tive pena, sai da cama e deitei-me no puff para ficar mais perto dela, ela ficou muito feliz, levantou várias vezes a noite, era seu costume já que tinha a bexiga toda comprimida pela grandiosidade do tumor, tinha que fazer xixi toda hora. Foi assim várias noites até que percebi não ter mais jeito , minha mãe mandou fazer uma cova, ou buraco para enterrar Ripilica, encima mandei fazer uma pirâmide de madeira tipo giral onde coloquei inúmeros vasos, embaixo plantei pés de beijos e jibóia, não tivemos coragem de sacrifica-la, chegamos até a procurar um veterinário já que o Doutor André mudou-se para Arapongas.
Ela continuava no meu quarto, percebi que suas pernas estavam travadas, como pouco se levantava, quando o fazia estava cabaleando pela convalescença. Ripilica não desistia tinha sede de viver, ainda mais agora que era uma Rainha, rica abastada na condição antes vivida, Ah! Pena não te-la conhecido antes. Nós nos amávamos loucamente, desesperadamente, infinitamente, pois infinito sera o nosso amor. E se você tiver alma, ou se os animais tiverem alma, ah! Eu quero um dia te encontrar.
Não teve jeito como passei a dormir no puff senti Ripilica maio frio naquela noite, sempre procurando aconchegar cada vez mais perto de mim, pois a mesma tinha o habito de dormir encima de meu colo, esticada sobre minha barriga, como seu cheiro não era muito agradável cobri-a com um cobertor sobre meus pés, sua cabecinha ficou sobre minhas mãos que a acariciava a noite toda..Ripilica tinha friu tremi-se toda, e mais e mais eu a agasalhava.
Certa noite ela não parava de me olhar, percebi uma nevoa branca em seu olhar, seu olhar estava esfumaçado, mas ela não tirava os olhos de mim, foi ai que resolvi fazer uma ultima fotografia, seu olhar já Era cadavérico, fiquei algumas horas, as ultimas horas com Ripilica no colo, chorei muito, e muito mais eu a acariciava, eu a acariciava e ela me olhava, que ducura de olhar,era uma despedida, era uma forma de agradecimento por tudo que lhe fiz.
Assim adormeci, e logo de manha percebi Ripilica dura esturecida sobre mim, “ENFIM A PAZ” Deus a livrou do sofrimento.E eu a agonia de vê-la sofrer, e vela perdendo pouco a pouco. Ripilica era minha alma gêmea, nunca mais vou amar outro ser irracional assim como a amei, talvez, por ela ser carente, rejeitada, assim como me sinto também pouco o mal amada, havia entre nós um elo de vidas passadas.
Pequei Ripilica no colo pela ultima vez, fui embaixo da pirâmide e a enterrei, ficando entre nós um amor inacabado, cheio de saudades.
Dizem o velho ditado: “o amor jamais se acaba” ele atinge grandes dimensões e vai além da vida, se é que exista outra vida para os seres irracionais, porque quero acreditar que exista, quero acreditar que esses pequeninos e dóceis animaizinhos, nossos fieis escudeiros, possam serem um dia encontrado em outro plano pós-vida, assim todos nós poderíamos ser felizes .
Eu tive muitos animais de estimação amei a todos em cada tempo em que aqui estiveram, cada um tem sua história, aliás escrevi várias, mas o momento em que estou atravessando é de uma carência muito grande, transferi todo o meu amor para Ripilica minha amada e idolatrada cachorrinha feliz.